segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Não Furtarás



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            Tudo concorria para que o furto ocorresse, eu e minha amiga havíamos planejado tudo, sabíamos exatamente o que queríamos. 
             Naquela época a biblioteca não emprestava livros, ou seja, era um lugar inútil, ninguém consegue ler um livro em pequenas visitas.
             Lembro que ela levou a mochila, havia três computadores, depois as estantes bem em frente, e depois algumas mesas, sentamo-nos peguemos vários livros, abrimos a mochila para pegar uma canela e assim a deixamos. Quando percebemos a total inércia do nosso lado colocamos o livro dentro da mochila, lembro que eu tremia e ela mais do que eu.
             Fomos com o principio de que um livro lido e posto numa estante até o fim de seus dias é um livro que agoniza por anos. Mas não roubamos.
             Como Rubem Braga: "Nós dois tivemos aquele tremor quase angustioso, aquela vontade quase irresistível de desfechar um golpe rápido, nós sofremos aquele segundo de agonia_sentimos, de uma maneira horrivelmente clara, que seria justo tomar uma parte do dinheiro da velha.E continuamos pobres (até hoje, Zico!) e seguimos nosso caminho de cabeça baixa (até hoje!) mas perdemos o direito de reprovar os que fazem o que não fizemos_por hesitação ou por estranha covardia.
Thalia Bastos

                                                                                

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